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Plataforma I - Óleo sobre tela
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Contaminado
pelo
vírus da arte
Benjamin Silva nasceu em Juazeiro do Norte, Estado do
Ceará, no ano de 1927.
Depois de ter sido seringueiro na Amazônia, mudou-se aos 20 anos para o Rio de Janeiro,
onde, para viver, desempenhou diversos ofícios, chegando a ser lutador de catch no
Palácio de Alumínio da Avenida Presidente Vargas.
Ainda no Rio de Janeiro, estava empregado numa padaria quando sentiu despontar o gosto
pela pintura. Levado por um amigo à Escola do Povo, por volta de 1950, tornou-se ali
aluno de Inimá de Paula,
e, quando este embarcou para a Europa, com prêmio de viagem do Salão Nacional de Arte
Moderna, passou a freqüentar as aulas de Tomás Santa Rosa no Museu de Arte Moderna.
Os dois mestres o marcaram, tendo ele herdado de Inimá o amor ao intenso colorido, e de
Santa Rosa a preocupação para com os volumes e texturas harmonicamente dispostos.
Turnê através de
estilos
Praticava, por essa época - meados da década de 1950 -, um figurativismo a que se
poderia chamar de neocubista, no qual as formas eram pouco a pouco abstraídas dos objetos
naturais, dando origem a esquemas de severa estruturação, realçados porém por
tonalidades cálidas, de densa pigmentação.
Tomando parte, desde 1953, do Salão Nacional de Arte Moderna (no qual obteria em 1959 o
prêmio de viagem à Europa, com permanência maior em Paris, após 1960), Benjamin
realizou sua primeira individual em 1957, no Diretório Acadêmico da Escola Nacional de
Belas Artes do Rio de Janeiro.
Por essa época, sua pintura, de nítida inspiração em Braque, buscava timidamente
abandonar a referência ao mundo de formas e cores naturais, para ingressar no território
do Abstracionismo.
Só chegaria, porém, em 1963, à pintura não-figurativista, adotando então cor e
textura convulsas, que distribuía sobre suportes de grandes dimensões.
Por volta de 1966, nova ruptura, em parte motivada pela situação político-social
brasileira de após 1964, fez com que o artista retomasse a prática da pintura
figurativa, já agora dentro de uma linha de feroz expressionismo, cheio de intenções
satíricas e de alusões mordazes.
Aos
quadros dessa nova fase (a que o pintor denominou de Mitologia do Quotidiano) sucedeu-se
um momento em que, sob a influência do Surrealismo, brotaram-lhe alguns estranhos óleos,
nos quais o crítico Roberto Pontual vislumbrou "qualquer coisa da uterinidade do Satiricon
felliniano".
Moto-contínuo
Surgia, logo depois, a fase dos homens-máquinas, do homem robotizado, do homem
escravo das engenhocas que ele próprio criou. Para sublinhar ainda mais esse poder da
máquina, Benjamin dá-lhes o aspecto fantástico de visões e science-fiction, com
seus longos tentáculos e carapaças de aspecto ameaçador.
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Após uma viagem
aos Estados Unidos, em 1973, e sob a influência da Nova Figuração, Benjamin passou a
produzir o que chamou de fantasias e periferias urbanas, em que se destacam grandes
composições, geometricamente estruturadas, de massas e texturas em equilíbrio, algo
evocativas de vistas, tomadas à distancia, de cidades imaginárias, e das quais acha-se
ausente qualquer referência ao humano.
É um artista,
como escreveu Mário Margutti, "em permanente atualização, voltado para uma
renovação temática e formal da sua pintura, de modo a torná-la um instrumento de
interpretação das complexidades da nossa época - e uma força denunciadora de tudo que
oprime o ser humano e esvazia o sentido da própria vida".
Fonte: CD-Rom «500 Anos de Pintura
Brasileira»
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