Yan de Almeida Prado
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     Yan de Almeida Prado, historiador, que participou da Semana da Arte Moderna com "dois desenhos", foi meu vizinho nos Campos Elísios (atrás do antigo palácio do governo) desde 1981 até sua morte, dez anos depois.

     Um ancião solitário, morando no grande casarão, apenas na companhia de uma empregada, uma dúzia de gatos e outras tantas galinhas caipiras que se espalhavam pelo quintal abandonado, em nada lembrava o anfitrião da "Pensão Humaitá", sua antiga casa do bairro de Higienópolis, por onde circulavam, a todo instante, as mais célebres personagens do país.

     Desde os velhos tempos, a "Pensão Humaitá" recebia a visita daqueles que, com ele, participaram dos grandes eventos culturais, e não apenas da Semana. Por ali passaram também Monteiro Lobato, que lhe fez a última visita na véspera da própria morte, Assis Chateaubriand, João de Scatimburgo, Pietro Maria Bardi, Tavares de Miranda e outros tantos.

     Já nos anos oitenta, enxergando mal e caminhando com dificuldade, preferiu a solidão por companhia. Vez por outra, antigos amigos, apenas homens, se reuniam,  passando uma tarde com o velho companheiro.

     Ao final, apenas Tavares de Miranda marcava sua presença na "Pensão". Embora estivesse também com a saúde debilitada e falando com extrema dificuldade, todos os sábados, pela hora do almoço, sua filha o deixava no velho casarão e os dois lá permaneciam, a tarde toda, trocando reminiscências da São Paulo antiga, cujo ambiente cultural, ao contrário do que se possa pensar, era bem mais agitado que hoje.

     Em 23 de outubro de 1991, Yan, cujo nome verdadeiro era João Fernando de Almeida Prado, partiu para sua última morada. Rememorando o convívio, o jornalista João de Scatimburgo escreveu o livro "Memórias da Pensão Humaitá", publicado no ano seguinte à sua morte. (Paulo Victorino)


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