Um ancião
solitário, morando no grande casarão, apenas na companhia de uma empregada, uma dúzia
de gatos e outras tantas galinhas caipiras que se espalhavam pelo quintal abandonado, em
nada lembrava o anfitrião da "Pensão Humaitá", sua antiga casa do bairro de
Higienópolis, por onde circulavam, a todo instante, as mais célebres personagens do
país.
Desde os velhos tempos, a "Pensão
Humaitá" recebia a visita daqueles que, com ele, participaram dos grandes eventos
culturais, e não apenas da Semana. Por ali passaram também Monteiro Lobato, que lhe fez
a última visita na véspera da própria morte, Assis Chateaubriand, João de Scatimburgo,
Pietro Maria Bardi, Tavares de Miranda e outros tantos.
Já nos anos oitenta, enxergando mal e
caminhando com dificuldade, preferiu a solidão por companhia. Vez por outra, antigos
amigos, apenas homens, se reuniam, passando uma tarde com o velho companheiro.
Ao final, apenas Tavares de Miranda marcava
sua presença na "Pensão". Embora estivesse também com a saúde debilitada e
falando com extrema dificuldade, todos os sábados, pela hora do almoço, sua filha o
deixava no velho casarão e os dois lá permaneciam, a tarde toda, trocando
reminiscências da São Paulo antiga, cujo ambiente cultural, ao contrário do que se
possa pensar, era bem mais agitado que hoje.
Em 23 de outubro de 1991, Yan, cujo nome
verdadeiro era João Fernando de Almeida Prado, partiu para sua última morada.
Rememorando o convívio, o jornalista João de Scatimburgo escreveu o livro
"Memórias da Pensão Humaitá", publicado no ano seguinte à sua morte.