Esteticismo
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     Esteticismo é a denominação geral para várias tendências que exageram a auto-suficiência da arte e sua independência de qualquer outro valor, seja ele moral, religioso, político ou social.

     Em suas manifestações mais fortes, os valores estéticos têm predominância sobre todos os demais aspectos a vida, numa atitude elitista em relação à arte.

     O esteticismo teve especial força no Século 19, expressando-se principalmente através da frase " a arte pela arte " (" art for art’s sake ") que parece ter sido proferida pela primeira vez pelo filósofo francês Victor Cousin (1792-1867).

COUSIN (Victor), filósofo e político francês (Paris, 1792 - Cannes, 1867). Chefe da escola espiritualista eclética. (Acad. Fr.)

     Encontrou terreno fértil para seu desenvolvimento principalmente na Inglaterra do século passado, recebendo várias críticas de importantes pensadores da época, como Thomas de Quincey.

     Por outro lado, era valorizado por outros críticos e ensaístas como Walter Pater (1839-1894).

      Seguidores de movimentos no país como a " Irmandade Pré-Rafaelita ", que dava extremo valor a uma sensibilidade cultuada na apreciação do belo pelo belo, também tinham fortes características esteticistas, encarcerando o artista numa " torre de marfim ", como expressou-se a esse respeito o crítico Sainte-Beuve (1804-1869).

PRÉ-RAFAELITA adj. e s.m. e s.f. Diz-se de, ou grupo de pintores ingleses da era vitoriana que, sob a influência de Ruskin, tomou como modelo ideal as obras dos precursores de Rafael. (O que caracteriza os principais membros da "confraria pré-rafaelita" é uma inspiração literária e simbólica, bíblica ou histórica: Rosetti, Millais, Burne-Jones.)
SAINTE-BEUVE (Charles Augustin), escritor francês (Boulogne-sur-Mer, 1804 - Paris, 1869). Fez parte do cenáculo romântico e publicou coletâneas de versos (Vida, poesias e pensamentos de Joseph Delorme, 1829) e um romance (Volúpia, 1834); depois consagrou-se inteiramente à crítica e à história literárias. Publicou então séries de artigos ou de ensaios que acabou por reunir em volumes: Port-Royal (1840-1859), Retratos literários (1844, 1852), Conversas de segunda-feira (1851-1862), Novas segundas-feiras (1863-1870). Seu método, fundado sobre importante documentação histórica, tende a reconstituir o gênio próprio de cada escritor. (Acad. Fr.)

     Até mesmo em Oscar Wilde podem ser notadas evidências do culto ao esteticismo que marcou principalmente o século passado inglês.

WILDE (Oscar Fingal O'Flahertie Wills), escritor irlandês (Dublin, 1854 - Paris, 1900). Adepto do esteticismo (arte pela arte), tornou-se um escritor muito célebre e sofisticado, tanto por sua personalidade (dandismo) como por seus contos (O crime de Lord Arthur Saville), seu teatro (O leque de Lady Windermere), seus ensaios (A alma do homem sob o socialismo) e seu romance (O retrato de Dorian Gray, 1891). Envolvido num escândalo com jovens aristocratas homossexuais, que lhe valeu um processo, passou dois anos na prisão, onde escreveu suas obras mais comoventes (A balada do cárcere de Reading, 1898; De profundis [publicado em 1905]). Ao sair da prisão, retirou-se para Paris, onde morreu esquecido.

     As principais reações a essa tendência surgiram de movimentos como " Arts and Crafts " (Artes e Ofícios), liderados por William Morris e Lethaby, com características sociais e artísticas que buscava revalorizar o artesão, produzir arte para as massas e lutava contra o exagero do culto à estética.

MORRIS (William), pintor e crítico de arte inglês (Walthamstow, 1834 - Londres, 1896). Participou do renascimento das artes decorativas.

     Tolstoy, em " O que é Arte ? " também protestou contra o desligamento da arte de valores morais.

TOLSTOI (Lev [Leão] Nikolaievitch, conde), escritor russo (Iasnaia Poliana, 1828 - Astapov, 1910). Autor de Guerra e paz (1865-1869), Anna Karenina (1876-1877), Ressurreição (1899), Tolstoi é o grande pintor dos costumes e da alma russa. Idealista e místico, procurou reencontrar a caridade do cristianismo primitivo.

     No Século 20, vemos legados mais brandos do esteticismo, principalmente no que se refere à vida própria dos padrões estéticos.

     Entretanto, uma arte desvinculada do objeto de representação e sem qualquer relação com quaisquer outros motivos da vida do homem não resistiu ao impacto dos movimentos de vanguarda que originaram a arte contemporânea.

Fontes: Enciclopédia Digital Master. -
              Enciclopédia Koogan-Houaiss.


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